segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Evolução do Sistema de Chaves

     A evolução do chalumeau para o clarinete, por Johann Denner, traduziu-se na criação de um instrumento que não tinha mais do que 7 buracos e 2 chaves “operando” num curtíssimo registo tímbrico de 12ª.
Por volta de 1700, J. Denner colocou as 2 chaves de tal modo que uma delas (chamada “chave de registo”) possibilitou o aumento da tessitura do clarinete para aproximadamente 3 oitavas.
Em 1710, Jacob Denner, filho de Johannn, efetuou várias experiências na colocação das chaves descobrindo posições que permitiam atingir registos mais agudos e uma melhor afinação.
Por volta de 1740 foi introduzida a terceira chave e em 1778 o clarinete standard tinha já 5 chaves. Não obstante, a esta altura o clarinete era sobretudo tocado por oboístas que tocavam ambos os instrumentos (oboé e clarinete) não havendo a tradição de um instrumentista se dedicar exclusivamente ao clarinete.


                          clarinetes de 5 chaves feitos por J.Denner


     É curioso notar que foi para o clarinete de 5 chaves que Mozart escreveu o seu Concerto e Quinteto. É extraordinário imaginar a agilidade e virtuosismo do instrumentista a quem coube a missão de executar tais obras, considerando a complexidade dinâmica, tímbrica e cromática das mesmas, por um lado, e as limitações técnicas de um instrumento com apenas 5 chaves. Mozart compos o concerto e quinteto para seu amigo e companheiro de Maçonaria, Anton Stadler. O registro grave do clarinete era o que mais agradava Mozart, que frequentemente o comparava à beleza da voz humana.
        
                     anton stadler
                  silhueta de Anton Stadler

     O clarinete de 5 chaves manteve-se como standard até princípios do séc. 19, época em que Ivan Muller introduziu lhe importantes modificações, de tal ordem que é por muitos considerado como o verdadeiro pai do clarinete moderno.
Ivan Muller, nascido na Russia, fixou-se por volta de 1809 em Paris, cidade onde se situavam os principais fabricantes de instrumentos em madeira da época. Começa então a introduzir alterações na construção do clarinete, desenvolvendo intrincados mecanismos de chaves, permitindo combinações técnicas que de outro modo só seriam possíveis com recurso a dedos suplementares.
Muller apresentou o seu “invento” (um clarinete com 13 chaves) no Conservatório de Música de Paris em 1815, e foi completamente rejeitado. Tal rejeição não derivou diretamente do sistema apresentado por Muller, mas sim do entendimento que os professores da época partilhavam de que este tipo de clarinete, com afinação em Sib, poderia acabar com os outros tipos de clarinete então existentes (com diferentes afinações) extinguindo a variedade tímbrica e recursiva que esses diferentes clarinetes se prestavam.


Em detalhe: as inovações nos clarinetes construídos por Muller

clarinete muller 2  claves sol#-lá

clarinete muller 3    chaves fá-ré#-dó#

clarinete muller  chave sol#-lá tal como conhecemos hoje

Clarinetes estranhos!!!

Clarinete baixo em DÓ- século 18

clarinetebaixotorto 

   Este curioso instrumento, por mais esquisito que possa parecer, é um clarinete baixo, conhecido popularmente como clarone. Ele foi construído na Itália por volta de 1820 por Nicola Papalini e é construído com madeira de pereira envernizada, metal e chifre. O corpo é composto de duas placas separadas escavadas, para possibilitar a construção do tubo em forma de serpente; as metades foram coladas e apertadas com pinos de metal. Possue nove orifícios para os dedos na parte frontal (sendo o segundo e o oitavo dobrados, o primeiro e o quinto feitos para serem usados com as articulações dos dedos) dois orifícios para os polegares e um para a ressonância da campana. Com apenas 5 chaves de metal.

Aulochrome

aulochrome 



   O aulochrome é um novo instrumento de sopro inventado pelo belga François Louis em 2001. Consiste de dois saxofones sopranos que podem ser executados separadamente ou juntos. O nome origina-se do grego “aulos”, (nome de um importante instrumento de sopro da Grécia antiga) e chrome (cromático, colorido). Seu mecanismo possibilita que se toque os tubos juntos ou separadamente em toda a extensão. Também permite qualquer intervalo polifônico entre os tubos, assim pode-se tocar a nota mais grave de um tubo e a mais aguda de outro simultaneamente. Os primeiros a utilizar esse instrumento foram os saxofonistas Fabrizio Cassol and Joe Lovano, que recentemente fizaram gravações utilizando-os.

Fonte: www.clarinetemania.com.br

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

História do clarinete...

   O clarinete tal como conhecemos hoje passou por uma longa e complexa evolução. Em diversas culturas antigas são encontrados instrumentos cujo processo de produção do som é o mesmo que o da clarineta, são os chamados instrumentos de palheta simples, por possuirem uma única palheta que vibra e produz o som através de um tubo.
   Por volta do ano 2700 A.C já era encontrado no Egito instrumentos como o iarghul, a zummara e o midjweh. Na Índia podemos encontrar até hoje um instrumento tradicional conhecido como Pungi, que é usado pelos encantadores de serpentes.


Instrumentos origem clarinete
     A invenção da clarineta é universalmente creditada a Johann Christoph Denner (1655-1707) e seu filho Jacob Denner (1685-1735), famosos fabricantes de instrumentos de sopro que residiam na cidade de Nuremberg, e tinham a intenção de desenvolver o chalumeau.
     O chalumeau era uma espécie de flauta doce com um “bico”, onde se prendia uma palheta. e sua extensão sonora era de aproximadamente uma oitava e meia. Denner acrescentou ao chalumeau  uma chave na parte superior traseira, que possibilitou ao instrumento atingir um registro agudo. Estava criada a clarineta. Pesquisadores acreditam que isso aconteceu em torno de 1701- 1704.


chalumeaudenner

chalumeau      clarinetes construidos por Denner

     A sonoridade do registro agudo da clarineta foi associado, a princípio, ao som do trompete, tanto que o primeiro nome dado ao instrumento foi mock trumpet (mock=“zombar”,“imitar”). Posteriormente, o registro agudo começou a ser chamado de “clarino” ,ainda em referencia ao trompete,  derivando em clarineta, ou seja “pequeno clarim”.
     A grande diferença da clarineta em relação aos demais instrumentos de sopro é que numa mesma posição o instrumento emite um intervalo de 12ª, enquanto os demais instrumentos emitem uma oitava. Essa característica possibilita à clarineta possuir a maior tessitura entre os instrumentos de sopro, de quase 4 oitavas. Logo, essa e outras  características começaram a cativar os compositores.
Em 1740, Vivaldi compôs tres concertos grossos para dois clarinetes e dois oboés e Handel compos uma abertura para dois clarinetes e corno di caccia na mesma decada. Karl Stamitz e Georg Fuchs compuseram concertos para integrantes da famosa Orquestra de Manheim na década de 1780. Esses concertos demonstravam a grande facilidade com que os executantes podiam passar do registro grave ao agudo, porém a afinação e progressões cromáticas eram ainda grandes desafios. Durante esse período foi significante a experimentação por parte de luthiers no tubo e furos do clarinete com o objetivo de superar esses problemas.
clarinetlg
     Em finais do século 17, o clarinete sofreu uma evolução com a introdução de novas chaves e alterações ao nível do diâmetro e posições dos orifício.  Ivan Muller (Alemanha) desenvolveu nesta fase o clarinete de 13 chaves cuja popularidade se manteve até finais do séc. XIX.

     Entre 1839 e 1843, Joachim Klosé e Theobald Buffet adaptaram ao clarinete o sistema de colocação de dedos da flauta, chamado Boehm. Apesar deste ser o sistema habitualmente utilizado hoje em dia, subsistem ainda outros sistemas, como é o caso dos sistema “Albert” e “Oehler” (usados sobretudo na Alemanha).

Fonte: www.clarinetemania.com.br

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Familia do Clarinete

O Clarinete possui uma “família”, composta por vários instrumentos:
  • Clarineta Sopranino . Em Láb – 1 oitava mais aguda que a requinta.
  • Clarineta Requinta – Em Eb (Mib) ou em D (Ré) – 1 quinta mais aguda que o soprano. A Requinta em Ré é antiga e incomum hoje em dia.
  • Clarineta Soprano (clarineta padrão) – o mais comum – geralmente afinado em C(Dó),Bb(Sib),A(Lá)
  • Clarineta Basset – Em A (lá) – muito usado em concertos para clarinete em lá, sobretudo no concerto de Mozart e quinteto de Mozart, este clarinete atinge notas de mais graves além do registro usual da clarineta padrão.
  • Cor de basset ou Corno Basseto – espécie de clarinete em Fá, tem o corpo ligeiramente diferente (curvo ou angular), muito usado por Mozart, mas caiu em desuso, apesar de ter sido usado por R. Strauss em Elektra, por exemplo.
  • Clarineta Alto – Em Eb (Mib) – 1 quinta mais grave que o soprano
  • Clarinete Baixo ou Clarone – Em Bb (Sib) – 1 oitava mais grave que o soprano
  • Clarinete Contra-Alto ou Clarone Contra-Alto – Em Eb (mib), 1 quinta mais grave que o Clarone e 1 oitava mais grave que a clarineta-alto
  • Clarinete Contra-Baixo ou Clarone Contra-Baixo Modelo Leblanc – Em Bb (Sib), clarinete em metal, 2 oitavas mais grave que o soprano
  • Clarinete Contra-Baixo ou Clarone Conra-Baixo Modelo Selmer – Em Bb (Sib), clarinete com o dobro do tamanho do seu parente de metal, clarinete em ébano comum, 2 oitavas mais grave que o soprano.
  • Clarinete OctoContra-Baixo – Em Bb (Sib) – Clarinete extraordinário, em metal, 3 oitavas abaixo do soprano, altura física: 2,76m
O mais comum como foi dito acima, é o soprano em Bb(Sib) e A(Lá), com 16 ou 17 chaves. O que não é mais comum é encontrarmos os clarinetes com 18 chaves e afinação em C(dó).
família do clarinete

O que é clarinete?

  O clarinete, ou a clarineta, é um instrumento musical de sopro constituído por um tubo cilíndrico de madeira (já foram experimentados modelos de metal), com uma bocarra cônica de uma única palheta e chaves (hastes metálicas, ligadas a tampas para alcançar orifícios aos quais os dedos não chegam naturalmente).
  Possui quatro resistros: grave, médio,agudo e superagudo. 
  Quem toca o clarinete é chamado clarinetista.




clarinete